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“Faltámos a história para fazer história”

Greta Thunder, 16 anos, suécia; Matilde Alvim, 17 anos, Palmela; Mónica Vicente , 21 anos, Aveiro; Dunia Berg, 14 anos, portuguesa de origem polaca; Constança Henriques,14 anos, Lisboa; Joana Ferreira, 17 anos, Porto. Estes são alguns dos jovens que no passado dia 15 de março saíram à rua para manifestar a sua preocupação com o futuro do planeta. Fizeram-se ouvir bem alto, para exigirem aos decisores políticos que tomem medidas concretas e urgentes, porque, no seu entender, “não há planeta B”.

Manifestaram-se com o objetivo de dizer ao governo “que faça da resolução da crise climática a sua prioridade”, nomeadamente encerrando as centrais elétricas movidas a carvão (de Sines e do Pego), assim como o aumentando a utilização da energia solar e o melhorando o serviço de transportes públicos.

Em 2000 cidades de 125 países, os jovens levantaram alto as suas vozes para sensibilizar os adultos no sentido de olharem seriamente para o seu futuro e encararem as alterações climáticas como elas realmente são- uma verdadeira crise.

Um movimento de juvenil à escala global, descentralizado, apartidário, inclusivo, pacifico, ambicioso e criativo. Em Portugal houve protestos em 28 localidades fazendo elevar a voz de 20 mil estudantes.

Ora, o que é curioso e inovador é que são os mais novos a investir, ainda que de forma indireta, na formação, neste caso ambiental, dos adultos. Na consciência ecológica, na consciência de que não é mais possível continuarmos a fingir que não vemos o que está a acontecer e que não podemos atuar para mudar o atual estado das coisas.

São os jovens que dizem chega, que exigem mudanças, politicas e de comportamento, e que assumem uma atitude proactiva e interventiva. São os mais novos que, através da sua participação cívica, enquanto cidadãos conscientes e ativos, querem transformar o mundo num lugar onde é bom viver.

Sabemos que, em contexto familiar, nomeadamente naquilo que aos comportamentos de vida consciente (alimentação, desporto, ambiente) diz respeito, em muitos casos são os filhos os promotores da adoção de práticas sustentáveis e promotoras de bem-estar.

Muda-se assim o paradigma. Observamos os jovens a educar os adultos, a serem motores de mudança nas atitudes dos elementos da família e da comunidade, assim como na implementação de estilos de vida mais satisfatórios e sustentáveis.

Assim sendo, quanto mais conscientes, informados e imbuídos de comportamentos e práticas adequados estiverem os nossos jovens, maior vai ser o seu efeito multiplicador.

Chegamos, desta forma, onde acabam sempre as questões que se prendem com problemas sociais e necessidades de mudança de mentalidades e comportamentos- à escola. Também aqui, como em quase todas as dimensões da vida pessoal e social, a escola pode, e deve, ter um papel preponderante.

Não me vou focar em questões de currículo ou programa. Diria apenas que a escola pode ser um exemplo de práticas amigas do ambiente, que os alunos depois poderão transportar para o seu quotidiano, familiar e social: fazendo reciclagem de forma séria e rigorosa; fazendo compostagem ou canalizando os seus resíduos orgânicos para centros de compostagem; instalando torneiras temporizadas e sensores d luz; substituindo as “louças” de plástico dos eventos por outras de materiais orgânicos; eliminando ou reduzindo outros plásticos; instalando painéis solares; criando hortas biológicas, mantidas pelos alunos; plantando árvores, dentro ou fora do recinto da escola; utilizando, sempre que possível, materiais reciclados e recicláveis. Sempre envolvendo os alunos, para que eles tenham uma participação ativa nas ações da escola, seguindo depois o respetivo exemplo.

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