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Mindfulness, Aproveitando o verão tardio

A manhã soalheira de um verão tardio convida à prática de mindfulness no exterior.

Mindfulness no exterior

Os raios do sol incidem na cara, o resto do corpo está à sombra. Identificamos as sensações do calor do sol. Focamos a atenção nas faces…na testa…no nariz… nos olhos… no pescoço… nas têmporas. Reconhecemos se as sensações são agradáveis ou desagradáveis, boas ou más, prazerosas ou incomodativas. A alguns o calor provoca uma sensação de prazer e bem-estar, a outros, pelo contrário provoca desconforto. Nestes casos a tendência é rejeitar a sensação, mudar de lugar ou tapar a cara.

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A proposta

A proposta é resistir à tentação de eliminar a sensação de calor que está a ser incómodo, de ir para a sombra, de virar a cara. Treinar a qualidade de lidar com o que estamos a percecionar, evitando a identificação, tendência para tornar global o desconforto, como se todo o corpo estivesse a sentir um excesso de calor que se torna difícil de suportar. A sugestão é, através de um estado de consciência, notar que “uma parte de mim sente calor”, ou “uma zona do meu corpo está a experienciar um quente desagradável”, evitando o “estou a ferver”, ou o “este calor é insuportável”, ou ainda o “estou completamente cheio de calor”.

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Esta prática de atenção plena às emoções ou às sensações desenvolve a qualidade de encarar as experiências positivas e negativas com equidade de ânimo ou entusiasmo. Sem rejeitar as emoções negativas, sem as negar, sem fazer de conta que não existem mas também sem nos identificarmos com elas, como se estivéssemos a ser tomados por essa emoção ou sensação, atribuindo-lhe uma dimensão muito superior há que tem na realidade. A esta qualidade damos o nome de equanimidade.

Pessoa equânime

A pessoa equânime desfruta do bem de modo desapegado e passa pela experiência negativa também de modo desapegado. “Equanimidade sugere não ampliar problemas nem prazeres, de modo que se torne possível passar pelas situações da vida sem que as mesmas produzam na mente algo mais além da própria experiência, como por exemplo angústias de ordem psicológica” (Leonardo Ota). Esta qualidade treina-se através da prática de atenção plena com foco nas sensações e nas emoções, notando o que estamos a sentir a cada instante, simplesmente como se apresenta no momento, sem julgamento, sem exigência e sem negação.

Simplesmente notando as sensações dos raios do sol a incidir na cara.

Por Filipa Ramirez Pereira

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