Medos das Crianças! 6 Dicas Essenciais para Ultrapassá-los
Todos temos os nossos medos, os adultos, as crianças, os fortes, os fracos, os homens, as mulheres…até os animais.
Ainda bem que temos medo.
Ele não só é natural como é necessário. Sendo uma emoção primária do ser humano, constitui a perceção do perigo que desencadeia no organismo uma reação de defesa. Trata-se de um mecanismo de sobrevivência.

O medo é o que nos leva a ter uma atitude cautelosa quando atravessamos a estrada e permite que não sejamos atropelados. Desencadeia o instinto de defesa e proteção que nos faz estar alerta e muitas vezes evitar acidentes. É, portanto, um mal necessário.
Acima de tudo, temos medo do desconhecido, do escuro, de uma nova experiência (nova escola, novo emprego, novo desafio…),de um fenómeno da natureza que não compreendemos (trovoada…).

Como Ajudar a ultrapassar os Medos das Crianças?
Partindo destes princípios, vejamos como ajudar a criança a ultrapassar os seus medos:
Não desvalorize
Se a criança está aterrorizada porque tem que entrar no quarto escuro, evite o “Não sejas maricas!”; “Não há nada no quarto que te faça mal”; “Não há razão para ter medo.” Se a criança está com medo é porque, para ela, há motivos para ter medo. Ela sentir-se-á desamparada se desvalorizar algo que a deixa mesmo intranquila.

Tente compreender o quê, em concreto, provoca tamanha aflição
Ajude a criança a conhecer melhor o que a deixa tão insegura, para que depois encontre recursos que lhe permitam lidar com o temor. Corte o objeto do medo às postas. Se a criança tem medo do quarto escuro, pergunte “O que te assusta? São os barulhos? São as sombras? É a cortina a mexer? É a escuridão? São os contornos dos brinquedos no escuro?”. Se a criança tem medo da trovoada, questione “O que te aflige? É o barulho dos trovões? É a luz dos raios? É o facto de poder cair em cima de nós?”
Ajude a criança a definir estratégias
Não faça isso por ela. Permita que ela tenha a oportunidade de sentir que foi capaz de ultrapassar este grande desafio, conquistando, assim, a convicção que conseguirá vencer muitos outros.
Se o problema é o escuro
Se o problema é o escuro, talvez se possa colocar uma luz de presença; se são os barulhos, tampões poderão ser a solução; se a dificuldade está nas sombras provocadas pela nesga de luz que penetra através do estore, então resulta fechar completamente o estore.
Acompanhe a criança no processo de busca e descoberta da solução
Acompanhe a criança no processo de busca e descoberta da solução. Se o medo se prende com os acessos à cave, à garagem ou ao sótão, faça uma “viagem de exploração”, com lupa e lanterna e leve a criança a conhecer, em detalhe, de que é composto aquele lugar, para ela tão misterioso. Caso o terror esteja associado às trovoadas, acompanhe a criança numa pesquisa para compreender melhor o fenómeno.
Resista à tentação de não expor a criança ao objeto do medo
A criança só vai ultrapassar o medo, caso tenha a oportunidade de o enfrentar. Esteja ao seu lado, use uma boa dose de criatividade e de humor, faça-o de forma progressiva e respeitando o ritmo da criança, mas não a prive do direito de aumentar os seus recursos e tornar-se mais forte. Se a colocar na sua cama, quando ela receia o quarto escuro, vai cristalizar o medo. Se ela entra no carro já na rua quando teme entrar na garagem, está a cristalizar o medo. Se não a leva à praia porque ela tem pavor do mar, irá cristalizar o medo. Assim vai ganhando dimensão ao longo do tempo, tornando-se cada vez mais difícil de enfrentar.

Seja o seu guerreiro-mor
Os adultos, sejam eles educadores, pais ou outras figuras de referência, são os heróis das crianças. Se partilha do mesmo medo que a criança, ultrapasse-o primeiro ou peça a outro adulto para a acompanhar nesta aventura. Seja o herói que está ao seu lado, que lhe transmite a confiança e a segurança de que precisa para vencer o medo

Convide, não obrigue
Não imponha à criança que mergulhe nas ondas, se ela tem medo; não a force a cantar para os seus amigos se ela tem medo de exposição; não a obrigue a ver os foguetes se ela fica apavorada. Convide-a a tomar banho numa pequena poça, a cantar baixinho ao seu ouvido ou a ir à festa com auscultadores nos ouvidos. Da próxima vez dará mais um passo. Torne claro para a criança que valoriza a sua emoção, respeita o seu timing, que estará sempre ao seu lado mas também que só ela poderá vencer esta batalha. Não deixe que ela fique com a perceção que a realidade não está lá.

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