Não foi nada… Já passou!
A história conta-se num abrir e fechar de olhos mas a reflexão que dela decorre não é assim tão simples.
Filipa Ramirez Pereira do Colégio Miúdos e Companhia Benavente explica, Com que legitimidade se pode dizer que está tudo bem!
Um grupo de crianças de cerca de dois anos está a brincar num parque. Uma delas tropeça, cai, bate com a cabeça no chão e chora compulsivamente. O piso é adequado e a queda pouco aparatosa. O adulto está perto, vê a cena e intui que não há danos. Dirige-se à criança levanta-a e, com o intuito de a acalmar, despeja:
– Não foi nada… Já passou!
Logo a seguir toma consciência do quão desadequado é o que acaba de dizer. Se a criança está a chorar é porque alguma coisa se passa e se ainda está a chorar é porque ainda não passou.
Com que legitimidade se pode dizer que está tudo bem!
Com que legitimidade se pode dizer que está tudo bem! Só a criança sabe se se assustou, se se magoou, se lhe dói a cabeça? O que há a fazer é mostrar verdadeiro interesse pelo que se passou e pelo que a criança está a sentir, as suas sensações e as suas emoções, e mostrar disponibilidade para a confortar. O modo deve ser um modo interrogativo:
– Estás bem? Magoaste-te?
– Precisas de ajuda?
– Queres um miminho?
E depois então procurar saber, junto da única pessoa que está apta a esclarecer:
– Estás melhor?
– Já passou?
Ao chorar, a criança está a comunicar que algo não está bem, mesmo que não se tenha magoado. Esse é o ponto de partida. O que importa é procurar, de forma interessada e sem ideias pré-concebidas, compreender o que a criança pretende comunicar. Todo o comportamento das crianças é uma forma de comunicar algo, normalmente uma necessidade, cabe-nos estar atentos, disponíveis, interpretar a mensagem e tentar satisfazer a necessidade que está a ser comunicada. Caso isso não seja possível, pelo menos manifestar empatia.

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